Poeta Jessé Ojuara

*Nunca se nega a ninguém, café, água e Poesia.

Textos

Triste vida Severina
Desenfreada corrida
Sempre nos levando ao nada
Nossas vidas liquefeitas
Co' atitude requentada
Sobreviver sem motivo
Como uma vaca imolada.

O tempo vira um algoz
A rotina vira sina
Matando nossa esperança
Como cruel assassina
No fim temos um contrato
Ninguém quer, mas sempre assina.

José da Silva presente
Maria da Conceição
Alberto Vaz de Jesus
Cármen Purificação
Triste a vida, Severina
Antônio, Zé e João.

Nomes ditados ao vento
Números na identidade
Sombras de almas errantes
Sonhos de felicidade
Todos com mortes matadas
Pro bem da saciedade.

Vivendo só para comer
Corpo e pão, circo na igreja
A fé que nos alimenta
Tem um sabor de ora veja
Reforçando a servidão
Pro meu Senhor: Assim seja.

O Pai, Patrão e Senhor
Três em um único ser
Que pra se perpetuarem
Fingem que vão proteger
Mas tiram a liberdade
De quem luta pra viver.

Afastem de mim o cálice
Cale-se a hipocrisia
Chega de me confundir
Com seu dogma e magia
O meu inferno é na terra
No seu livro há fantasia.

Por que pra mim nessa terra
Sete palmos é legado
E você na vastidão
Cria gente como gado
Basta, chega, finalmente
Eu vou ser alforriado.

Livre farei mais  poesia
Para assim me libertar
Vou escrever novo livro
E sem parar de sonhar
Forjarei nova razão
Vou reaprender a pensar.

Salvador, 29/7/26
Jessé Ojuara
Enviado por Jessé Ojuara em 29/07/2026
Alterado em 29/07/2026
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