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Desacelere
A mente que vive aflita
Não vê o que a vida traz Perde o gosto e perde a paz Nessa pressa que limita A sabedoria grita Nesta frenética era Onde o mundo se exaspera Pra quem vive consciente Tem coisas que a gente sente Só quando desacelera. A brisa leve do vento Tocando na nossa face Uma amizade que nasce Com total envolvimento. A força do sentimento Numa relação sincera O som que a natura gera A poesia na mente. Tem coisas que a gente sente Só quando desacelera. Sentir gosto da comida Ter mais tempo pro meu filho Nas estrelas ver o brilho Mais presença repartida Abraçar dando guarida Pros amigos, pra galera Deixar meu jardim sem hera É missão vital e urgente Tem coisas que a gente sente Só quando desacelera. Ler um livro quando chove Ou fazer meditação Visitar a mãe e o irmão Quando eu penso me comove Mais que sete vezes nove Quero e vou descer da serra Dessa pressa que me enterra E deforma corpo e mente Tem coisas que a gente sente Só quando desacelera. Se acelero todo instante Eu só ouso o mar quebrar Insensível sem notar Sua água verdejante Que é um belo calmante Melhor do planeta terra Mas um bom cabrito berra Pra mudança comovente Tem coisas que a gente sente Só quando desacelera. Salvador, 08/4/26
Jessé Ojuara, Poetisa Lúcia (Mote e G1) e Marcone Santos (Glosa2)
Enviado por Jessé Ojuara em 08/04/2026
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