

![]() Zoológico humanoDentro de mim tem um zôo Que requer minha atenção O melhor é conhecê-lo Com estudo e precisão Bicho que mais alimento Para quem dou mais alento Assumirá o plantão.
Meu macaco é bem esperto Também espalhafatoso De tudo quer fazer troça Às vezes desrespeitoso Não considera o momento Sempre muito barulhento Misto de bobo e tinhoso.
Ele perde bom amigo Contudo nunca a piada Tentando ser engraçado Exagera na lacrada E tudo que é demais sobra Aí vem o mundo e cobra Basta dessa presepada.
Já meu jumento é teimoso Por vezes ignorante Já vi empacar do nada Mostra-se muito arrogante Como dono da verdade Nem sempre só por maldade É seu jeito petulante.
Por isso pena e carrega Na vida fardo pesado Mas talvez se ele mudasse Não seria aliviado Um erro reconhecer Pode lhe favorecer Quem sabe ser perdoado.
Minha cobra venenosa Tem muita sagacidade Vê e ataca sua presa Com muita velocidade Anda sempre procurando Seus olhos seguem mirando Qualquer oportunidade.
Eu dela gosto e não nego Porém também sinto medo Sei que pra sobreviver Precisa de bom enredo Um rato ou um boi comer Pode não satisfazer Cada qual com seu segredo.
Meu coelhinho tão veloz Ele é do tempo um escravo E quando perde um segundo Esbraveja e fica bravo Chega sempre antes da hora Atrasar-se lhe apavora Merece esse desagravo.
Mas precisa ser mais zen Aproveitar mais a vida Curti melhor o momento Para que tanta corrida As vezes não fazer nada É uma boa sacada Não ser refém só da lida.
Minha astuta águia é tão bela Alturas é seu domínio Olha tudo lá de cima Com precisão e fascínio Sempre muito seletiva Narcisa e competitiva Perde as penas no declínio.
Aí vem renovação Mas esbelta imperial Nunca perde sua pose Tem orgulho colossal Com seu ego sempre inflado Pode ter reino abalado Por se sentir sempre a tal.
Minha pobre formiguinha De trabalhar vai morrer Vive tal qual uma escrava Não sabe o que é lazer Pela rainha explorada Tem uma dura jornada Triste jeito de viver.
Tem inveja da cigarra Vive pensando no inverno Devia pensar melhor Ver que não existe inferno Pedir carta de alforria Escapar dessa agonia Romper o seu terço e o terno.
A coruja sempre esperta Até tenta me alertar Mostra-me o melhor caminho Como posso melhorar A luz do sol da razão Porém nego digo não Não aprendo ao caminhar.
A minha velha coruja Rendo meu ode e respeito Tão sábia e tão moderada No seu trato sou suspeito Eu não lhe alimento bem Para às feras digo amém Tenho sido mau sujeito.
Nesse zoológico humano Existem mais animais Alguns eu não mencionei Porém cada um é capaz De reconhecer os seus Apenas citei os meus Eu até falei demais.
Assim findo o meu cordel Meus bichos apresentei Porém alguns omiti Eu com vergonha fiquei Cada um tem seus segredos Que cuide e trate seus medos Sem julgar, eu não julguei.
Salvador, 27/01/25, Jessé Ojuara
Enviado por Jessé Ojuara em 27/01/2025
Alterado em 29/01/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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